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Mudanças à vista no rotativo: e você com isso?

Depois de lançar o Desenrola – programa para reduzir o alto número de consumidores inadimplentes no País – o Governo está preparando com o setor privado um plano para acabar com o crédito rotativo nos cartões de crédito, modalidade de financiamento em que são cobrados os juros mais altos do mercado – da ordem de 402% ao ano.

Estão envolvidos no projeto os Ministérios da Fazenda, do Planejamento e o Banco Central, além da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN). Numa etapa seguinte serão incluídos no grupo representantes do varejo, que estão preocupados porque estimam uma queda de R$ 350 bilhões ao ano em suas vendas com a extinção do rotativo. Isso porque, pelo modelo em discussão, parte dos clientes superendividados (cerca de 35% do total) poderão ter seus limites bloqueados para o pagamento parcelado de seus débitos.

Confira, na sequência, como as mudanças em estudo podem afetar suas finanças e sua vida econômica.

O que é o crédito rotativo?

O rotativo é um tipo de crédito oferecido ao usuário do cartão de crédito quando ele não faz o pagamento total da fatura no vencimento. Ele funciona como um empréstimo com a finalidade específica de garantir que você pague a fatura e, assim, evite ter seu nome incluído nos órgãos de proteção ao crédito.

Uma prática muito usual é o pagamento do valor mínimo da fatura, caso em que a taxa do rotativo é aplicada sobre o total não pago. É como se a diferença entre o total da fatura e o valor pago no vencimento se transformasse em um empréstimo sujeito a juros por conta da parte que não foi paga.

O problema é que os juros do crédito rotativo estão entre os mais altos do mercado. Para se ter uma ideia, a taxa de juros do rotativo chegou a 409,3% ao ano ao fim de 2022, o nível mais alto da série estatística do Banco Central, que começou a ser medida em 2012.

Rotativo regular e não-regular: qual a diferença?

Em resumo, a diferença entre o crédito rotativo regular e não-regular reside na forma como você escolhe lidar com o pagamento da fatura do cartão de crédito.

Como vimos, o crédito rotativo é uma forma de crédito disponibilizado por instituições financeiras, geralmente por meio de cartões de crédito. Quando você

não paga o valor total da fatura até a data de vencimento, a opção do crédito rotativo entra em ação, permitindo que você parcele o saldo devedor e pague em parcelas mensais.

Aqui é onde entra a primeira diferença. No crédito rotativo regular, você pode optar por pagar o valor mínimo da fatura e deixar o restante para o mês seguinte. No entanto, essa escolha geralmente resulta em juros altos e aumento da dívida, já que o valor restante é acrescido de taxas e juros elevados. Isso pode criar uma situação de endividamento difícil de escapar.

Já no crédito rotativo não-regular, ao invés de optar pelo pagamento mínimo da fatura, você se compromete a quitar um valor maior do que o mínimo exigido. Isso ajuda a evitar os juros exorbitantes do crédito rotativo regular. A ideia aqui é controlar suas despesas e evitar o acúmulo de dívidas que podem se tornar insustentáveis.

Para entender qual opção é a mais adequada para você, é importante considerar sua situação financeira atual e sua capacidade de pagamento. Optar pelo crédito rotativo regular pode ser arriscado e prejudicial a longo prazo, devido aos juros elevados. Por outro lado, escolher o crédito rotativo não-regular requer um compromisso maior com o pagamento e pode ser uma alternativa mais saudável para suas finanças.

Lembre-se de que, independentemente da escolha, o crédito rotativo pode ser útil em situações emergenciais, mas é importante usá-lo com responsabilidade para evitar o endividamento excessivo.

E por que os juros do rotativo são tão altos?

Toda instituição, quando empresta dinheiro, assume o risco de não ter o valor devolvido dentro do prazo proposto. Para compensar essa possibilidade, o banco cobra juros pelo tempo que o correntista fica com uma determinada quantia sem pagar. Na prática, os juros do rotativo podem tornar a dívida até 3 vezes maior em questão de um ano. Por exemplo, uma dívida de R$ 1.000,00 no rotativo pode crescer mais R$ 3.000,00 em 12 (doze) meses se não for quitada no prazo estabelecido.

É por isso que, a rigor, o rotativo deve ser visto como uma solução em emergências e não para uso rotineiro.

Na avaliação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que participa das negociações para as mudanças, a solução para o problema dos juros elevados e da inadimplência no cartão de crédito passa pela extinção do crédito rotativo. Um aviso a ser levado em conta para quem estiver nessa situação, ainda que se espere uma solução a ser aplicada de forma gradativa.

Caso você se inclua entre os usuários rotineiros do rotativo, a sugestão é que encare as mudanças pelo lado positivo, e como oportunidade para se livrar de um endividamento crônico e sujeito aos juros situados entre os mais caros do mercado.

Leia mais: Antecipar parcelas do cartão de crédito é bom negócio?

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