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Renegociação e refinanciamento de dívidas: conheça as diferenças

Quando o orçamento aperta e o endividamento começa a impactar negativamente as finanças pessoais, é hora de buscar alternativas para resolver a situação. Entre as soluções mais comuns estão a renegociação e o refinanciamento de dívidas. Mas afinal, em que consiste cada uma delas?

Por mais que pareçam a mesma coisa e de fato tenham muito em comum, há várias diferenças entre a renegociação de dívidas e o refinanciamento de contratos em busca de melhores condições de pagamento. De todo modo, como é crescente o número de brasileiros em dificuldades financeiras, e já passa de 78% o contingente de famílias endividadas no país, pode ser importante conhecer melhor as possíveis saídas dessas situações.

Embora ambos os processos tenham como objetivo facilitar o pagamento de débitos, eles funcionam de formas distintas e podem oferecer vantagens diferentes, dependendo do perfil de cada devedor.

No artigo de hoje, você vai entender as principais diferenças entre renegociar e refinanciar dívidas, além de descobrir qual opção pode ser mais vantajosa para o seu caso.

O que é refinanciamento de dívidas?

O refinanciamento pode ser uma das possibilidades para melhorar as condições de pagamento de um crédito tomado, seja um empréstimo ou um financiamento. Segundo a Serasa, em seu Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, mais de 72 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em meados de 2024. Para esse público, em especial, é importante saber como funciona e quais as vantagens e desvantagens do refinanciamento.

Basicamente, refinanciamento é a renegociação de um empréstimo, um financiamento, um parcelamento da compra de um automóvel ou outro bem. Consiste na renegociação do crédito contratado em busca de taxas de juros mais baixas e condições facilitadas para o pagamento das parcelas.

Ou seja, o refinanciamento de dívidas consiste em contrair um novo crédito para quitar a dívida atual. A diferença aqui é que o refinanciamento substitui a dívida anterior por uma nova, geralmente com condições mais vantajosas, como juros mais baixos ou prazos mais longos.

Como funciona o refinanciamento?

De um modo geral, no refinanciamento o devedor contrata um novo empréstimo ou financiamento que substitui a dívida anterior.

As regras do refinanciamento dependem do tipo de bem a ser refinanciado (um automóvel, por exemplo) e da instituição financeira que está bancando a operação.

O refinanciamento pode funcionar como uma modalidade de empréstimo no valor das parcelas já quitadas, por exemplo, ou de um empréstimo com garantia de imóvel. Neste último caso o consumidor recebe um crédito compatível com o bem oferecido como garantia no contrato e pode usar o valor como lhe convier. Esse imóvel fica atrelado ao contrato até a quitação da dívida.

As principais formas de refinanciamento disponíveis no mercado são as seguintes:

1) Refinanciamento de crédito pessoal

Para quem tenha contratado empréstimo consignado, usado cheque especial, cartão de crédito ou outro tipo de empréstimo pessoal e acumulado dívidas. De forma geral, essa opção de refinanciamento só é oferecida a quem já tenha quitado parte do valor devido e tenha tido aprovação na análise de crédito.

No caso de crédito pessoal, o valor do refinanciamento é baseado no valor não quitado e não no valor original da dívida. Conforme as parcelas são pagas no vencimento, o limite de refinanciamento aumenta e as oportunidades de renegociação tendem a se tornar mais flexíveis.

2) Refinanciamento imobiliário

O refinanciamento imobiliário funciona como um empréstimo com garantia de imóveis. Para a contratação costuma ser necessário que pelo menos 70% do valor do imóvel esteja pago.

Como o próprio bem garante o pagamento da dívida, os juros nesse caso costumam ser menores que os do crédito pessoal.

3) Refinanciamento de veículos

No refinanciamento de veículos (ou empréstimo com garantia de veículos) é possível renegociar o prazo do parcelamento. Assim, o interessado pode continuar usando o veículo enquanto paga a dívida.

A garantia nesse caso é o próprio veículo, que pode ser tomado pela instituição financeira caso a dívida não seja paga. Geralmente, esse refinanciamento está disponível para veículos com menos de 10 anos de fabricação.

Refinanciamento ou portabilidade?

O refinanciamento é uma operação diferente de portabilidade do crédito.

Enquanto o refinanciamento é um processo que busca oferecer melhores condições dentro do mesmo banco, com base em um contrato que já existe, a portabilidade de crédito é uma operação em que o banco, o contrato e as taxas são diferentes.

Antes de buscar a portabilidade, os especialistas consideram mais indicado tentar o refinanciamento junto à instituição que já concedeu o crédito para então comparar as opções e escolher a mais vantajosa.

O que é renegociação de dívidas?

A renegociação de dívidas ocorre quando o devedor e o credor entram em um acordo para alterar as condições de pagamento de uma dívida existente. O objetivo é tornar o valor total ou as parcelas mais acessíveis, com base nas condições financeiras atuais do devedor.

Como funciona a renegociação

Na renegociação, as partes ajustam o contrato original. As alterações podem incluir:

Mudança no valor das parcelas: as prestações podem ser reduzidas, tornando-as mais viáveis para o devedor.

Ampliação do prazo de pagamento: o credor pode estender o prazo da dívida, diluindo o montante em mais parcelas.

Descontos: dependendo do tipo de dívida e do histórico do cliente, o credor pode oferecer descontos sobre juros ou multas acumulados.

Na prática, a renegociação não envolve a contratação de um novo empréstimo, apenas a reformulação das condições do contrato original. Esse processo é geralmente mais rápido e menos burocrático do que o refinanciamento.

Diferenças entre renegociação e refinanciamento

Agora que entendemos como funcionam o refinanciamento e a renegociação, é hora de abordar as diferenças entre eles. Confira a seguir os principais aspectos que distinguem esses dois tipos de transação.

a) Natureza do processo

Na renegociação, ajusta-se o contrato original, ou seja, não há contratação de uma nova dívida, apenas a alteração das condições de pagamento da dívida já existente. Já o refinanciamento envolve a contratação de um novo crédito para quitar a dívida anterior, ou seja, cria-se uma nova dívida com condições diferentes.

b) Burocracia

O processo de renegociação tende a ser mais simples e rápido, já que não há a necessidade de aprovação de um novo crédito. Já o refinanciamento costuma exigir mais etapas, como análise de crédito e possível oferta de garantias, tornando o processo mais burocrático.

c) Impacto no valor final da dívida

A renegociação pode incluir descontos e abatimentos de juros ou multas, reduzindo o valor total da dívida, mas nem sempre reduz significativamente os juros futuros. Por outro lado, o refinanciamento costuma resultar em juros mais baixos e condições melhores, mas envolve a criação de um novo contrato, o que pode aumentar o prazo de pagamento e, em alguns casos, os custos totais com juros ao longo do tempo.

d) Flexibilidade

A renegociação oferece maior flexibilidade de condições, como parcelamento ou concessão de descontos. O refinanciamento, por sua vez, pode oferecer juros menores, mas, em alguns casos, exige garantias ou não permite tanta flexibilidade em termos de abatimentos ou descontos.

Vantagens e desvantagens do refinanciamento

As principais vantagens do refinanciamento são:

– possibilidade de reduzir as taxas de juros aplicadas ao contrato anterior;

– análise de crédito mais objetiva;

– liberação de crédito mais rápida;

– aumento no prazo de pagamento;

– renegociação do valor das parcelas;

– prolongamento do tempo para pagar as dívidas;

– aumento do volume de crédito.

Entre as possíveis desvantagens do refinanciamento é possível destacar:

– custos adicionais, com cobrança de novas taxas e encargos, além de despesas com cartório, dependendo do tipo de bem refinanciado;

– maior pagamento de juros;

– perda do bem em caso de inadimplência (para refinanciamento de imóvel ou automóvel).

Quando considerar o refinanciamento

Existem sinais que indicam se vale a pena recorrer ao refinanciamento. Os principais são:

– “O dinheiro sempre acaba antes do fim do mês”.

– As dívidas com empréstimos e financiamentos já ultrapassam 30% do orçamento mensal.

– Está difícil pagar a fatura completa do cartão de crédito.

– Foi preciso usar o cheque especial ou a reserva de emergência.

Quem está passando por uma dessas situações deve considerar um refinanciamento para ajustar as finanças e ficar longe da inadimplência.

Passo a passo para um refinanciamento

Para pedir um refinanciamento é preciso:

1. Definir qual crédito vai ser refinanciado e fazer uma simulação

2. Comparar as taxas de juros, prazos de pagamento e outras condições oferecidas pela instituição

3. Reunir os documentos necessários

4. Formalizar o pedido do crédito (presencialmente, por telefone ou pela internet)

5. Analisar as propostas e ler atentamente o contrato antes de assiná-lo

6. Quitar o débito original (caso o banco não faça isso automaticamente)

Renegociação ou refinanciamento: qual opção escolher?

Nem sempre é fácil tomar decisões financeiras corretas, ainda mais quando se trata de sair de uma situação de endividamento ou dificuldade. A escolha entre renegociar ou refinanciar deve levar em conta diversos fatores, como o tipo de dívida, a urgência em resolver a pendência e a situação financeira atual.

A renegociação é ideal para quem quer ajustar as condições da dívida atual sem contratar um novo crédito. Pode ser a melhor escolha se o credor estiver disposto a oferecer descontos ou estender o prazo de pagamento de forma acessível.

Já o refinanciamento pode ser vantajoso para quem está lidando com dívidas de juros elevados ou dívidas acumuladas de diferentes fontes. O refinanciamento pode consolidar todas essas dívidas em uma só, com uma taxa de juros mais baixa e prazos mais longos.

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